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27/06/2013 23:41

ESTUDO COMPARATIVO DE POSSÍVEIS DESEQUILÍBRIOS POSTURAIS EM PACIENTES APRESENTANDO MÁ OCLUSÃO DE CLASSE I, II E III DE ANGLE, ATRAVÉS DA PLATAFORMA

A oclusão é a relação do encaixe dos dentes, quando a arcada dental entra em contato com a arcada antagonista, não importando qual seja a posição da mandíbula. Uma análise da oclusão consiste em diferenciar uma oclusão patológica de uma oclusão fisiológica e equilibrada. A oclusão é parte integrante do sistema estomatognático. Existem distintos fatores que condicionam a função de todo o sistema. Assim, um transtorno em um deles repercute sobre todo o conjunto (McNEILL, 2000).

De acordo com Capelozza (2004), a classificação das más oclusões criada por Edward Hartley Angle, ou seja a classificação de Angle, é brilhante em seu objetivo. A maior prova disto é o seu uso universal e duradouro, sem alterações substanciais.

“A classificação de Angle é fundamentada na relação do primeiro molar mandibular/ primeiro molar maxilar no sentido sagital. Na prática ela se aplica também aos caninos” (ORTHLIEB et al., 2002) 

Descrevem-se as funções do controle postural como: suporte, estabilidade e equilíbrio. Estabilidade é suportar e estabilizar segmentos do corpo quando outras partes entram em movimento. Equilíbrio é manter o corpo sobre sua base de apoio na postura ereta e, ainda, a atividade postural permitir estabilizar e otimizar os esforços para que a pretendida posição seja mantida e que sejam promovidos os ajustes necessários por causa de alterações na posição de alguma parte do corpo (MOCHIZUKI; AMADIO, 2003). 

Entende-se que o equilíbrio seja controlado por desequilíbrios permanentes, que se corrigem ou se compensam. A função tônica irá corrigir os desequilíbrios quando possível, controlando e limitando quando necessário (BIENFAIT, 1995; BRICOT, 2004; CECI; FONSECA, 2005). 

Segundo Sampaio (2002), Ricard (2002) e Ceci e Fonseca (2005), a coluna vertebral costuma acomodar-se, fazendo compensações de má-posições que podem ter ocorrido na parte superior do corpo, chamadas descendentes, ou na porção inferior, chamadas ascendentes. Muitas vezes, quando se trata uma determinada parte do corpo, pode-se estar dando origem a desvios e estresse postural em outra região. A oclusão é um fator importante a ser considerado em relação aos desvios de origem descendentes. 

Segundo Sampaio (2002) e Bricot (2004), há interferência da oclusão sobre o controle do equilíbrio postural. 

Salgado (2004) cita diversos fatores que podem afetar o equilíbrio postural: alterações oclusais; crescimento craniano, postura do corpo e da cabeça; alterações musculares; problemas na Articulação Têmporo-Mandibular; fatores emocionais (idade, dor, enfermidades etc.). Ele ainda cita três mecanismos que podem intervir na transmissão da alteração oclusal na posição geral do corpo: Ligação muscular, pela mudança da posição da mandíbula e transferência de tensões a outras regiões do corpo; Leis da osteopatia, pela transmissão das forças; Dura-máter intracraniana, pela ligação em seus pontos de fixação cervical e lombar. 

Autores como Ricard (2002) e Bricot (2004) sugerem que nos dismorfismos craniofaciais do tipo Classe I, o equilíbrio postural não seja alterado. Nos pacientes com oclusão do tipo Classe II ocorre um desequilíbrio anterior e, na classe III o que ocorre é um desequilíbrio postural posterior. O desequilíbrio anterior é, na prática, o mais frequentemente encontrado, sendo responsável por 72% dos casos. 

Segundo Moreira e Moreira (2004), a baropodometria é uma técnica posturográfica de registro utilizada no diagnóstico e avaliação da pressão plantar, tanto em posição estática, de repouso, como de movimento, ou deambulação, que registra os pontos de pressão exercidos pelo corpo. 

Os desequilíbrios do corpo no espaço podem ser analisados através da posição do centro de pressão, medido através da baropodometria (MOCHIZUKI; AMADIO, 2003; RIBEIRO, 2004). 

Os desequilíbrios posturais afetam aproximadamente 90% da população. Todos nós somos pertencentes a uma das classes de Angle e, dependendo desta classe, estamos sujeitos a um tipo de desequilíbrio. É necessário verificar se ocorrem realmente estes desequilíbrios e se são específicos para cada classe. Assim, podem ser feitos novos estudos na intenção de se buscar uma nova exoentrada para o equilíbrio do corpo humano, além das já existentes, que são o sistema vestibular, visão e propriocepção. 

Portanto, este estudo tem como principal objetivo verificar quais os desequilíbrios posturais que ocorrem nas diferentes classes de Angle, comparando-os com a bibliografia existente e, ainda, verificar se ocorre o predomínio das síndromes descentes sobre as síndromes ascendentes, além de discutir a influência de outros fatores que possam desregular o sistema tônico postural.